26 26UTC agosto 26UTC 2007
Livro Sonho de Poeta
Apresentação
“Nenhuma qualidade literária — como, por exemplo, a capacidade de persuasão, a riqueza de imagens, o dom da comparação, a ousadia ou a amargura, ou a concisão, ou a graça, ou a leveza da expressão (…) — pode ser adquirida pelo simples fato de lermos escritores que possuem tal qualidade”, afirma Schopenhauer, do alto de sua autoridade.
No entanto, é preciso encontrar caminhos, abrir trilhas, sem se deixar levar pelas tentações do exibicionismo oco. Aqui, novamente, o mestre dá um puxão de orelhas “vale a regra: o novo raramente é bom, porque o que é bom só é novo por pouco tempo”. Sucede que Celso Fernandes consegue ser bom nesse novo conjunto de poesias. Estaria errado Schopenhauer? Não necessariamente. Antes de mais nada, Celso é um viajante pouco preocupado em ser novo. Ele vaga como em Pelos caminhos
Por onde andar
Por onde passar
Deixarei um pouco de mim.
Se deixou um pouco, vamos tentar entender esse pouco. Ele facilita essa tarefa, deixando marcos por onde passou. A quem quiser ele revela sua identidade sensível como em Se lhe perguntarem quem sou

Se lhe perguntarem quem sou
Diga que sou poeta de mim mesmo
Diga que ando com os pés no espaço
E que compreendo o significado de amar.´
O poeta procurará sempre negar a procura frenética pela originalidade. É um pecado menor. Confessarão baixinho que são súditos dedicados das musas e, se de alguma forma, conseguirem emocionar o leitor, terão conseguido encontrar a famosa luz, ao fim do não menos abusivamente citado túnel.
O leitor não encontrará um percurso linear ao longo do volume. Se me permitirem uma sugestão, sigam um roteiro aleatório. Abram ao acaso, leiam, reflitam e depois de repetir o processo algumas vezes, retomem a leitura da página um à página N. A sensação estética será diferente e, penso eu, a aproximação com a alma do autor será mais plena. Não nos iludamos, como todo poeta, Celso é fingidor também, como na sua Canção triste:
Morri muitas vezes.
Horas, horas a fio.
As horas das vidas…
As horas longas das vidas.
Não vamos nos embrenhar numa selva de delírios metafísicos, o poeta provocou, sorriu, talvez enxugou uma lágrima, causada por um sofrimento que ele não pretende dividir com ninguém. Ficou uma mensagem — se não falar em mensagem o que dirão os críticos — a ser saboreada pelo leitor. Antes de saborear, captar será preciso, e como quase todas as capturas, essa será prazerosa. Não há ainda uma Sociedade Protetora dos Versos que a ela se oponha, mesmo porque, a captura será virtual, desprovida de exclusividade, generosa — por devolver àqueles que gostam da poesia o prazer dos versos.
Ousado, triste, irônico, resignado, até resmungão — ele que me perdoe, se me puder por esse último rótulo — o autor consegue cativar e como diria qualquer candidata a Miss, já se torna eternamente responsável … pelo prazer que proporciona.
Alexandru Solomon, escritor
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Serviço:
Editora Edicon
Série Poesia Brasileira
Rua Herculano de Freitas, 181 – Tel.: (11) 3255-1002 – São Paulo
Pedidos c/ autor: celsofernandes_colunista@hotmail.com
http://modarougebatom.blog.terra.com.br
criado por Celso Fernandes
17:04 — Arquivado em: 

Comentário por Marlúcia Brito Pinto — 22 22UTC abril 22UTC 2009 @ 22:02
Fiquei sem palavras p/ expressar tanta beleza no seu mundo poético. Sucesso hoje e sempre!!!
Beijos